Este ano o dia da mãe foi mesmo meu.
Sozinha com os três e o cão, atacada pelas alergias de primavera que me deixaram sem fôlego e com a cabeça pesada, tomei a decisão mais sensata do dia: não cozinhar. Zero culpa. Brunch encomendado e feito.
Porque há dias em que cuidar de nós é exactamente isso. Saber quando parar.
Os miúdos, que já tinham os seus planos traçados sem eu saber, surpreenderam-me com uma caça ao tesouro. Pistas espalhadas pela casa, cada uma deles com a sua letra, o seu estilo, a sua lógica — que nem sempre é a minha lógica. Confesso que demorei mais do que devia a encontrá-las. Talvez o cansaço. Talvez as alergias. Talvez estivesse mesmo a precisar de abrandar e eles, sem saber, obrigaram-me a fazer exactamente isso: parar, procurar, estar presente em cada pista.
No final, os presentes. E o coração cheio.
Não de coisas. De criatividade. De intenção. Daquele esforço miúdo que vale mais do que qualquer presente comprado à pressa.
À tarde, sesta. Longa, merecida, sem negociações.
Não foi o dia da mãe perfeito das fotografias todas iguais nas redes sociais. Foi o meu. E foi bom.

